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    Filosofia em saúde

    "Só lembro que tenho coluna quando ela dói": o Dia Mundial da Coluna e o cuidado de todo dia

    Neste 16 de outubro, o Dia Mundial da Coluna traz um tema que vale para o ano inteiro: saúde da coluna para a vida. Para trabalhar bem, dormir bem e seguir fazendo o que importa.

    14 de outubro de 2026 · 6 min de leitura

    "Só lembro que tenho coluna quando ela dói": o Dia Mundial da Coluna e o cuidado de todo dia

    Tem uma frase que eu escuto com frequência no consultório, quase sempre na primeira consulta: "Eu só lembro que tenho coluna quando ela dói."

    Faz sentido que seja assim. Uma coluna que funciona bem é silenciosa. Ela sustenta o corpo durante horas de trabalho, acompanha as curvas da serra no carro, deixa a gente abaixar para amarrar o tênis ou pegar uma criança no colo, e não pede nada em troca. A gente só repara nela quando esse silêncio se quebra.

    Dia 16 de outubro é o Dia Mundial da Coluna, uma iniciativa coordenada pela Federação Mundial de Quiropraxia e apoiada por organizações de saúde de vários países. A cada ano a campanha tem um tema, e o de 2026 é "Spine Health for Life", algo como saúde da coluna para a vida. Gosto dessa frase porque ela tem duas leituras, e as duas importam. Saúde da coluna para a vida inteira, da infância à velhice. E saúde da coluna para viver: para trabalhar, dormir, brincar, viajar e fazer o que dá sentido aos nossos dias.

    Por que a coluna merece um dia no calendário?

    Os números ajudam a dimensionar. Segundo a Organização Mundial da Saúde, a dor lombar é a principal causa de incapacidade no mundo. Em 2020 ela afetava cerca de 619 milhões de pessoas, e a projeção é chegar a 843 milhões em 2050, em boa parte pelo crescimento e envelhecimento da população. E essa conta é só da lombar: a dor no pescoço entra em outra conta.

    No consultório, porém, o que mais chama atenção é o que a dor tira das pessoas. Raramente alguém chega dizendo apenas "dói aqui". Chega contando que já não consegue passar a tarde inteira no computador, que acorda cansado porque não acha posição para dormir, que deixou a caminhada de lado, que o rendimento no trabalho caiu e a paciência em casa também. A dor ocupa espaço na concentração, no sono, no humor e nas escolhas. Como especialista em Saúde do Trabalhador, vejo isso de perto: muita gente segue trabalhando com dor, presente no corpo e meio ausente no resto.

    Saúde da coluna é mais do que ausência de dor

    Na QualiPraxis lidamos com dor todos os dias, mas pensamos a saúde a partir da própria saúde. Uma coluna saudável é aquela que acompanha a sua vida: você trabalha o dia todo sem precisar negociar com o corpo a cada hora, dorme e acorda disposto, se movimenta com confiança, abaixa e carrega uma sacola sem receio.

    Conforto e produtividade, nesse sentido, são sinais de saúde. Quando o corpo funciona bem, ele sai do primeiro plano, e a atenção fica livre para o trabalho, para as pessoas e para os projetos que importam.

    O que a coluna pede no dia a dia?

    Circula muita informação sobre coluna, e boa parte dela assusta mais do que ajuda. Um editorial bastante citado, publicado no British Journal of Sports Medicine por O'Sullivan e colaboradores (2020), reuniu crenças comuns sobre dor lombar que não encontram apoio nas evidências, como a ideia de que a coluna se desgasta com o uso do dia a dia ou de que uma única postura correta a protege. Os autores lembram que crenças desse tipo estão associadas a mais dor, mais incapacidade e mais afastamento do trabalho. Comento cada uma dessas dez ideias no texto sobre o que a ciência diz a respeito das crenças mais comuns sobre dor nas costas.

    A coluna é uma estrutura forte e adaptável, que responde ao uso que fazemos dela. O que ela pede é simples de dizer, embora nem sempre seja simples de fazer.

    Variação. Mais importante do que encontrar a postura perfeita é não passar tempo demais na mesma. Costumo dizer aos pacientes que a melhor postura é a próxima: levantar, mudar de apoio, caminhar até a janela entre uma tarefa e outra.

    Movimento. A coluna tende a se adaptar bem quando é usada com regularidade e progressão. Caminhar, subir escadas, carregar peso de forma gradual, praticar uma atividade de que você goste: tudo isso conta, e a melhor atividade costuma ser aquela que cabe na sua rotina.

    Recuperação. Sono, pausas e o nível de estresse fazem parte do cuidado da coluna. O sistema nervoso participa da regulação do tônus muscular e da sensibilidade à dor, e um corpo cansado e sob tensão constante costuma reclamar mais.

    Ergonomia, fortalecimento e bons hábitos influenciam muito. Ainda assim, cada corpo tem a sua história, e o que funciona bem para uma pessoa pode não ser o ponto principal para outra.

    E quando a coluna manda um recado?

    Às vezes, mesmo com cuidado, a dor aparece. Aqui vale lembrar uma ideia que orienta o nosso trabalho: a dor é uma mensageira. Como a luz de advertência no painel do carro, ela avisa que algo precisa de atenção, e o que resolve é entender o que ela está sinalizando.

    Nem sempre o recado vem de onde dói. Na lombar, por exemplo, a ressonância pode mostrar alterações que não explicam a dor, como conto no texto sobre o que o laudo da ressonância não conta. No pescoço, a origem do problema também pode estar em outro lugar, assunto do texto sobre por que a dor cervical nem sempre começa onde dói.

    Por isso, numa avaliação, duas perguntas guiam tudo: qual é a hipótese para a causa dessa dor? e como vamos saber se você está realmente melhorando? Com essas respostas, o tratamento ganha direção e a melhora pode ser acompanhada de verdade.

    Alguns sinais, por outro lado, pedem avaliação médica rápida: perda de força que vai piorando, alteração no controle da urina ou do intestino, ou dor acompanhada de febre ou de perda de peso sem explicação.

    Cuidar da coluna ao longo da vida

    O tema deste ano convida a olhar para a coluna ao longo de toda a vida, além dos momentos de crise. Cuidar dela enquanto está silenciosa significa construir hábitos que você consegue manter: movimento que cabe na rotina, pausas durante o trabalho, um sono que de fato restaura. E, quando fizer sentido, uma avaliação que ajude a entender como o seu corpo está se organizando e o que pode ajudá-lo a seguir bem.

    A coluna existe para que a vida aconteça. Neste 16 de outubro, fica a pergunta: o que a sua coluna permite que você faça hoje, e o que você gostaria que ela continuasse permitindo daqui a dez, vinte, trinta anos?

    Se quiser conversar sobre o seu caso, atendemos em Gramado e em Caxias do Sul.

    Marcos Reis, quiropraxista da QualiPraxis

    Escrito por

    Marcos Reis

    Quiropraxista da QualiPraxis, em Gramado e Caxias do Sul. Escreve a partir dos casos reais e das conversas do consultório. Conheça a trajetória do Marcos.

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